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A CAIXA

A CAIXA – por Hudson A. R. Bonomo

É fácil imaginar um lugar nirvânico, onde só resida o prazer, mas esta ilusão é um desequilíbrio. Minha mãe me disse uma vez que não há nada nesta vida sem dor, e ela, sábia como sempre, tem muita razão.

A vida nos ensina que há necessidade do equilíbrio para a subsistência da própria vida e para a evolução.

Ter a mente aberta para visualizar os momentos de desequilíbrio é uma grande dádiva em nossa vida. Aqueles que fazem uso de conceitos rígidos, cartesianos, absolutos, fundamentalistas, dificilmente desenvolvem uma capacidade autocrítica e não conseguem aproveitar as oportunidades nos momentos de confronto ou até mesmo do prazer.

Mas ao visualizar algum desequilíbrio, muitas vezes nos assustamos, e estáticos, nos perguntamos: “por quê?”. Talvez não exista uma resposta para a pergunta, pois antes de entender, precisamos saber “o que”, “o como”, “o que faço com isto”, e talvez nem cheguemos ao “por quê?”, pois o aprendizado pode estar no conhecimento e vivência em si e não no entendimento das coisas.

Nesta posição estática, o equilíbrio nos chama a sair da caixa, olhar o lado de fora, sem medo de ser feliz e ver o novo. O que fazer depois disto? Voltar pra caixa e dividir esta visão com os da caixa? Voltar e calar-se em suas próprias reflexões? Sair completamente da caixa?

Bem, sair totalmente da caixa significa isolar-se dos outros moradores da caixa, e talvez seja um caminho sem volta (eu chamo esta opção “de caminho do profeta”). Dividir o aprendizado com quem só vê a caixa, seria como dar “pérolas aos porcos”, parafraseando uma frase bíblica. Então, na minha limitada opinião, temos de usar isto, primeiro, para nossa própria reflexão, e depois dividir com quem deseja saber se existe algo além da caixa, ou com aqueles que fazem o mesmo exercício de dar uma olhadinha pro lado de fora.

São estas relações humanas que nos levam de volta ao equilíbrio, mais maduros, mais certos de que precisamos desta caixa, mas não precisamos abandoná-la, nem mesmo nos aprisionar a ela.

Basta dispor-se e ver os desequilíbrios a sua volta, sentir o equilíbrio na sensação de paz interior e seguir, mais um passo, mais um dia, um dia por vez.

Nota: Indico assistirem o filme “O Quarto de Jack (Room)”. É uma forma lúdica de compreender “a caixa”.

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